BOM JARDIM: Ao destruir prédio histórico, na calada da noite, João Lira pode ter soterrado reeleição

A incapacidade de interpretação do prefeito de Bom Jardim, João Lira, é destruidora. Na calada da noite, ele mandou derrubar um prédio da Estação Ferroviária, que está em processo de ‘tombamento’ desde 2006.

O ‘tombamento’ de prédios com valor arquitetônico, histórico e cultural tem o objetivo de preservá-los, com legislação específica, impedindo a descaracterização ou demolição.

Mesmo protegido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o imóvel não resistiu à ignorância. Para o prefeito, ‘tombar’ é apenas derrubar, fazer cair no chão, colocar abaixo.

AÇÃO – Ele determinou, esta semana, que máquinas demolissem o antigo armazém, construído em 1937. Em pouco tempo, tudo foi destruído. A ‘ação’ não foi anunciada. Não houve fogos como ocorre em lançamentos de obras públicas. Boa parte da cidade já dormia. Não havia como reagir. Um cidadão ainda tentou parar as máquinas, arriscando a vida, mas não houve como impedir a destruição.

O prédio demolido abrigava a secretaria Municipal de Educação. Fazia parte da História da cidade, e integrava um conjunto arquitetônico da Estação Ferroviária de Bom Jardim. O patrimônio também inclui a antiga estação, onde atualmente funciona a sede da prefeitura.

REAÇÃO – Por conta da destruição do patrimônio tombado, o prefeito João Lira foi denunciado ao Ministério Público pelo secretaria estadual de Cultura. De acordo com a Fundarpe, a obra só poderia ocorrer após autorização e deve ser embargada.

De acordo com o MPPE, “a Promotoria de Justiça de Bom Jardim segue analisando as medidas legais a serem adotadas, tanto nos âmbitos cível e penal quanto no âmbito da probidade administrativa, em relação à demolição já efetuada”.

De acordo com a promotora de Justiça de Bom Jardim, Danielle Belgo de Freitas, a atuação do Ministério Público se respalda no princípio constitucional da proteção ao patrimônio histórico e artístico.

HISTÓRIA: Primeiro trem na Estação de Bom Jardim, em 1937.

O tombamento é uma intervenção ordenadora do Estado na propriedade privada destinada à preservação dos bens de valor histórico, arqueológico, artístico e paisagístico. Portanto, no caso de demolição do patrimônio, seria necessária a apresentação, por parte da Prefeitura de Bom Jardim, dos projetos arquitetônicos para análise e aprovação da Fundarpe e posterior licenciamento do município”, fundamentou a promotora de Justiça, no texto da ação.

TOMBADO pelo Patrimônio Histórico, prédio abrigava secretaria Municipal de Educação

RESPOSTA – O plano diretor de Bom Jardim, sancionado em 2007 pelo então prefeito João Lira, determina que o conjunto arquitetônico da estação ferroviária fosse conservado pelo Poder Público. Mas agora, ocupando o cargo de prefeito pela terceira vez, alega que o prédio derrubado precisaria de uma reforma de R$ 200 mil, mesmo sem apresentar qualquer projeto de reforma muito menos desse custo.

Não tem o que se discutir nessa questão, não! Era um prédio totalmente deteriorado, um prédio que precisava de uma reforma de R$ 200 mil para gastar. Um prédio que foi demolido para melhorar a questão do trânsito, de estacionamento… A gente tem que respeitar as coisas antigas, os prédios históricos… mas que seja realmente histórico, e ali não era mais histórico não!…Por dentro não tinha nada vezes nada de trem, viu?!, diz o prefeito João Lira, em áudio enviado pelo WhatsApp ao radialista Gonçalves Filho, da Rádio Cultural de Limoeiro.

AGORA… após falta de entendimento do prefeito João Lira, prédio tombou e está em ruínas

DESDOBRAMENTOS – Se o prefeito João Lira sabe que uma reforma do prédio custaria R$ 200 mil, precisa informar quanto estaria previsto para se gastar nessa obra que começou destruindo, mas que traria suposta melhoria para o ‘trânsito, e estacionamento’, como tenta explicar.

Qual seria custo dessa obra malassombrada do prefeito João Lira? Se uma reforma de R$ 200 mil resgataria a história de Bom Jardim, quanto foi o valor da destruição? Qual a previsão total de custo desse projeto, que desrespeita à memória da cidade e afronta à legislação específica?

NO CHÃO – destruição repercutiu muito mal e pode atrapalhar reeleição do prefeito

A obra está embargada. A repercussão negativa da atitude do prefeito é muito forte e predomina na cidade. Se pretendia fazer obra para maquiar a cidade de olho na reeleição, a estratégia foi frustrada pela mobilização popular. Ele certamente não contava com efeito colateral.

Com a obra parada, o cenário da destruição pode se tornar o principal cabo eleitoral do prefeito candidato. O prefeito João Lira não esperava que o barulho das máquinas acordassem as pessoas, e pode ter soterrado a reeleição dele, com os destroços do armazém da antiga estação.

A atitude pode levar o cidadão-eleitor a saturar desse modelo tosco de gestão, e optar por proposta que coloquem Bom Jardim em trilhos construtivos, e não mais confiar o voto ao prefeito por ele mandar derrubar a memória afetiva das pessoas enquanto elas dormiam.

Ainda esta semana, representantes da Sociedade Civil Organizada de Bom Jardim, da Fundarpe e do Ministério Público devem marcar uma data para realização de uma Audiência Pública para tratar do assunto.

Da Redação, Alberico Cassiano. / Fotos: WhatsApp.

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